Londres é possivelmente uma das cidades a nível europeu onde o mercado de trabalho se caracteriza sobretudo pelo grande dinamismo. Trocar de trabalho é frequente. Este dinamismo está por um lado associado a razões comuns com o resto do Reino Unido mas também pelas especificidades da metrópole inglesa; por um lado as próprias leis do trabalho no Reino Unido promovem a flexibilização contratual, por outro, a dimensão de Londres permite uma oferta constante de novas oportunidades que mantêm os profissionais activos. Claro que este dinamismo assume várias velocidades dependentes do sector, contudo é uma característica comum.
Por vários motivos também, Londres é uma das cidades mais atractivas para se trabalhar. Especialmente os jovens profissionais parecem ser atraídos pelo fervilhar constante do centro financeiro Europeu e de todo o lado chegam, com sonhos que rivalizam em tamanho com a própria cidade. Como resultado existe uma enorme concorrência para assegurar um lugar que lhes permita aprender e evoluir nas suas carreiras. Alguns não tencionam ficar muito tempo, apenas o suficiente para garantir um currículo que impressione.
Quando cheguei a Londres, esperava ambas as realidades, mas devo dizer que fui surpreendido, pela velocidade e pelo número, do mercado e dos que como eu correm atrás de um sonho, mas tal como esperava, este ambiente tornou-se em algo realmente motivador. Desde que me lembro que sou assim, gosto destes ambientes, onde existe uma necessidade constante de fazer melhor. Isto mantém-nos activos, impede o parasita tão português do comodismo de se instalar, motiva, faz-nos avançar e ser melhor todos os dias. Aqui, o valor de cada um, depende do que se fez hoje!
Claro que isto faz com que arranjar emprego seja uma tarefa onde é necessário despender muita energia. Esta realidade é nova para mim, pois nunca me senti a pedalar para um emprego em Lisboa. Tem sido uma boa lição de vida. Não querendo ser mal interpretado gostava de salientar um aspecto; não existe aqui nenhum tom de crítica ou juízo de valor em relação ao que se passa em Portugal. As razões para estas diferenças tem a ver com muitos factores a começar pelo próprio mercado, sendo este totalmente distinto. Por isso, a decisão de ficar em Portugal para trabalhar é igualmente válida desde que seja feita em consciência e tenha uma razão para além do “tempo” – leia-se comodismo no sentido mais abrangente do termo.
A minha procura, dura já cerca de dois meses e meio. Devo admitir que tem sido bem mais complicado do que pensei inicialmente. Mas nem por isso me sinto desmoralizado ou arrependido, apesar de por vezes me sentir frustrado e cansado. Mas a questão mais importante, porque é essa que me vai dar um emprego, é saber como me comparo em relação à concorrência. Nas várias entrevistas que já tive – de cabeça umas 7 fora as telefónicas – tive a oportunidade de conhecer o rosto dos que como eu escolheram Londres e aquilo que acho mais importante dizer a este respeito é; não me senti em qualquer momento menos preparado que eles quer em termos técnicos quer pessoais. Isto a meu ver é importante de salientar. A nossa pequeneza – leia-se de Portugal – é determinada na sua maioria pela nossa atitude e falta de auto-estima. As universidades Portuguesas são tão boas quanto as Espanholas ou as Inglesas, e nenhum engenheiro Francês ou Alemão é à partida e por herança nacional, melhor que um engenheiro Português, e assim para os médicos, professores, cientistas, advogados, humanistas, etc. Os mais conservadores em espírito poderão ainda argumentar que a verdade é que lá fora ainda nos vêm com um país atrasado. Mas ó minha gente cabe-nos a nós mudar isso! Dito isto devo então dizer que há um factor muito importante que me limita, a falta de experiência profissional, e quanto a isto não há muito a dizer, pois é algo que só se ultrapassa trabalhando primeiro.
Perguntem a vocês mesmos o que querem da vida, definam objectivos ambiciosos que não caibam em vossa casa e se para eles for necessário vir para “Londres”, venham e enfrentem as dificuldades, acreditem em vocês próprios e acima de tudo sejam determinados e perseverantes…
A persistência é o caminho do êxito.
Charles Chaplin