Jun

12

Alquimia cultural

por Ricardo Cruz

Londres é uma daquelas cidades que reúne os mais diferentes credos. Não, não falo apenas de religião mas também de etnias, línguas, culturas e até mesmo tribos – porque agora está na moda chamar-lhe assim. The melting pot!!! Londres está sem dúvida no top 5 das cidades que reúnem gente de todo o mundo.

O ambiente multi-cultural é extremamente rico e estimulante. Cheiros e sabores do oriente, do oriente médio, ocidentais e africanos, qual festival de gostos. Existe de tudo e para todos. É interessante ver como toda esta gente interage. O inglês é claro a língua franca, ou pelo menos, um inglês arranhado que
predomina nas ruas. Mas mesmo por entre os “arranhansos” todos se entendem.

À parte os problemas endémicos de uma grande metrópole, alguns deles provocados por esta miscelânea de gentes, predomina um clima de tolerância como eu nunca tinha experimentado. Para um português típico que acaba de sair do seu rectângulo ensolarado, esta tolerância não pode deixar de constituir uma surpresa, mas agradável. Cada um é livre de expressar a sua identidade, interior e exterior da forma que mais lhe provir, e apenas um turista ocasional julga a opção.

Já falei num artigo passado, sobre a mansão do número 13 da Harberton Road, a nossa barraca. Mas penso que volta a calhar na conversa falar dela. Bem não propriamente da casa, mas de quem a faz. Vivemos numa “house share”, um conceito muito comum em Londres e popular especialmente entre os jovens estudantes e profissionais. Partilhamos as generosas instalações com um também genoroso grupo de “housemates”. Mas agora estão vocês a pensar; porque raio este caramelo, que ainda agora dizia coisas bonitas a propósito da salada russa que é Londres, me vem agora falar da palhota dele mais os colegas que nela vivem.

Posso dizer que a nossa casa é um exemplo dessa mistura cultural; temos uma francesa, uma irlandesa, um inglês, uma canadiana entretanto substituída por um francês, um sul africano metade alemão, e nós dois tugas. É neste fórum cultural que penso ter encontrado uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida. Tem sido fantástica a troca de experiências. Imaginem uma grande cozinha, onde cada um usa os utensílios da forma que aprendeu; é um festival de cheiros e cores.

Mas aquilo que mais gozo me dá, é o respeito mútuo que partilhamos.

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