Jul

02

Emigrante

por Ricardo Cruz

Quando se está longe, é comum sentir a falta de notícias, e sentir também a necessidade de se manter ao corrente do que acontece na nossa terra. E assim entre muita leitura dos jornais online, de vez em quando aproveito as novas tecnologias para assistir ao jornal vespertino da hora de almoço. À uns dias houve contudo uma reportagem que me fez pensar, e não podia deixar de partilhar isto com vocês.

A reportagem mostrava como uma vila Luxemburguesa se confunde com qualquer vila do interior de Portugal, para alguém que ali tenha chegado, dormindo toda a viagem. Larochette é uma pequena vila luxemburguesa no meio deste grão-ducado, a norte da Cidade do Luxemburgo, com uma população de cerca de 1700 habitantes grande parte dos quais Portugueses e descendentes. E grande parte significa provavelmente dois terços =)

A reportagem era na verdade um revisitar desta vila luxemburguesa que tinha sido já alvo de uma reportagem à 15 anos atrás e que agora era de novo assunto de notícia. O jornalista ou a jornalista, entrevistou algumas das pessoas que tinham sido entrevistadas na reportagem original e comparava-se o presente com o passado. O tempo passou, nota-se nos rostos das pessoas, mas na verdade Larochette continua a ser um dos cantos mais portugueses fora de Portugal. Por entre estas pessoas aparece um tipico português, reconhecível em qualquer parte do mundo e arredores. Orgulhoso do seu bigode afagava a proeminência abdominal enquanto assava frangos. A jornalista perguntou-lhe algo sobre regressar a Portugal, e foi esta mesma resposta que me fez pensar, e quero partilhar com vocês;

Aqui sou Português, em Portugal sou emigrante!

2 Respostas para “Emigrante”

  1. Cláudia Diz:

    Podes não acreditar mas o que mais me assusta é voltar a Portugal.

    Receio muito a sensação de voltar a casa apenas por um fim-de-semana. Tenho medo de qualquer coisa que ainda não sei bem o que é.

    Tenho a noção que não vamos ser catalogados como emigrantes como os outros portugueses com a quarta classe que partiram para terras de lá longe sem nada e voltaram de BMW e construiram cá uma casa de férias.

    Mas não deixo de ter medo do que vou sentir quando voltar para casa. Será sempre casa. Mas temo que já não seja a casa de agora…

  2. Ricardo Cruz Diz:

    Passados os primeiros tempos, quando as coisas estabilizarem vais sentir que a tua vida corre aqui. E sempre que regressares a casa é como se fosse fim de semana. Na verdade em muitas das situações será mesmo fim de semana :P

    Eu senti isto quando mudei para Lisboa. Depois de tudo acente e de ter entrado no novo ritmo, a Guarda passou a ser a casa de campo. É estranho nos primeiros tempos, mas não é necessariamente mau.

    Tenho a certeza que não te sentirás mal, e que apreciarás o tempo de outra forma quando estás lá, porque esse, vai passar muito mais devagar.

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