Jul

26

Everyone reads in the tube

por Ricardo Cruz

Tive já oportunidade de vos constar, como são confortáveis e fofinhos os assentos dos transportes públicos em Londres – e que o não fossem. Pois é, metade desta cidade, eventualmente mais, depende dos transportes públicos para cavalgar os minutos que separam a casa do emprego. No final do dia o tempo perdido em cavalgadas, é significativo. Se por vezes, sentar ou ficar em pé, a pensar na vida é o entretém necessário e suficiente, 90% das vezes é um grande desperdício de tempo. A não ser… a não ser que se faça alguma coisa com ele.

Ler nos transportes públicos, é uma das coisas próprias de um Londrino e serve o propósito de os proteger contra a inutilidade dos minutos. Tudo o que vem à mão marcha, à parte a chocante falta de qualidade dos jornais gratuitos que nos são enfiados na boca à porta das estações de metro de manhã à tarde. Para mim é desconcertante a falta de interesse e o mau gosto geral das notícias publicadas. Mas não posso dizer que tenha sido surpreendente, afinal, a fama da imprensa inglesa precede-a desde à muito.

Ainda assim as pessoas lêm, e querendo ser justos, algum sumo a laranja espremida deita. Não se vê por exemplo este hábito no metro entre o Campo Grande e o Cais do Sodré, entre a Pontinha e o Marquês, entre o Lumiar e o Rato ou entre o Oriente e a Alameda, não importa a cor da linha. Devo no entanto ressalvar que a minha experiência subterrânea em Lisboa é reduzida, correndo o risco de exagerar no discurso. Se assim for, alguém que me espete uma chapada nos comentários se faz favor.

Seja para ler a manhã e entrar informado pelo dia a dentro, seja para “cuscar” debaixo da saia de uma qualquer celebridade – meu Deus como detesto esta palavra – seja para olhar disfarçadamente os seios da rapariga com o decote generoso que ocupa o acento oposto ou simplesmente ler por ler, o facto é que todos lêem e igualmente todos aproveitam.

5 Respostas para “Everyone reads in the tube”

  1. Cláudia Diz:

    Não querendo contrariar, eu usei o metro e o comboio em Lisboa durante dois anos, e a verdade é que, apesar de os hábitos de leitura não serem tão intensos como aqui em Londres, ainda se lê significativamente muito por aí em Portugal. Recordo-me do início dos jornais gratuitos em Lisboa e curiosidade parece que implantou um hábito. Recordo-me de ver muita gente de livrinho na mão, no comboio Rio de Mouro-Entrecampos e o pouquinho que fazia até à Cidade Universitária também dava para apanhar alguns leitores.
    Claro que a quantidade não pode ser tão grande como aqui…
    Ou seja, acho que é demasiada intensa a frase em que afirmas que não se vê este hábito em Lisboa, até no suposto metro do Porto eu vi gente a ler livros ou jornais. E por mais surpreendente que possa parecer alguns jornais não eram gratuitos nem A Bola ou O Record!!!! ;)

  2. Ricardo Cruz Diz:

    Pois eu de facto não conheço a realidade dos transportes públicos em Lisboa muito bem. Apenas me lembro das audaciosas viagens no 112 que liga Oeiras ao Cacém… aquilo sim era calor humano.

    Mas é confortante saber que os gratuitos em Portugal em geral têm uma qualidade maior que os de aqui e que também se lêem.

    (Fica a chapada dada! Ehehehe)

  3. Cláudia Costa Diz:

    Olá mister :)
    Depois de ler o teu post e o comentário da Maria Sofia…não resisti…Bem sabes que agora de segunda as sexta lá vou de comboio e metro para o trabalho!Pois bem, pasme-se que noto de dia para dia as pessoas mais atentas e mais interessadas na leitura! Eu nem queria acreditar quando começei a ver que efectivamente os jornais gratuitos que nos “obrigam” a trazer, fazem as delicias matinais das pessoas já mais acordaditas…sim porque as há a pender a cabeça que dá dó! Hehe
    Mas é verdade, o nosso povo, agarra os vários jornais que dão no comboio e no metro…e quais mestres da leitura…lá vão eles folheando página a página até ao seu destino! Eu também cheguei a fazer isso..mas concluí que não vale a pena sujar as mãos!Leio o jornal do vizinho do lado…que parece reparar e até o ajeita de modo a que eu consiga ler! é a leitura e a sua partilha como nunca imaginei!O triste é que no fim da viagem, as pessoas largam os jornais em todo o lado, desde ficar no comboio em cima do banco, no chão mal saem do comboio, em todo o lado…menos nos sitios próprios. Uns belos caixotes metálicos enormes que há nas estações…mas o raio das pessoas não tem pontaria para lá acertar, e é ver jornais pelo chão fora :( Enfim…não se pode ter tudo!
    Fica bem…beijocas

  4. Ricardo Cruz Diz:

    Olá. Obrigado pelo teu comentário. É bom ver que ainda vou tendo clientes. Eheheh

    Pois de facto o teu comentário e o da Cláudia mostram que afinal a realidade não é como eu pensava e que ainda se vai lendo alguma coisa. Fico contente por isso. Serão as novas gerações a fazê-lo porventura.

    Aqui também os jornais vão passando de mão em mão e muito acabam por ficar no comboio também. Mas há sempre alguém que se senta e pega nele.

    Em relação ao lixo no chão, bem isso são contas de outro rosário. E em civismo batem-nos aos pontos.

    Beijinhos

  5. Claudia Costa Diz:

    Ó mister…eu vou deitando sempre uma olhadela ao teu blog :D Mas ás vezes estás umas temporadas sem dar notícias tuas…

    Olha lembrei-me agora..sabes que já andamos a aprender jive nas danças!! Aquilo é que é suar e dores nas pernas!! Ah e aprendemos uns pasitos novos de kizomba :)

    Fica bem….Beijinhos

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