Ago

07

Job Hunting

por Ricardo Cruz

Londres é possivelmente uma das cidades a nível europeu onde o mercado de trabalho se caracteriza sobretudo pelo grande dinamismo. Trocar de trabalho é frequente. Este dinamismo está por um lado associado a razões comuns com o resto do Reino Unido mas também pelas especificidades da metrópole inglesa; por um lado as próprias leis do trabalho no Reino Unido promovem a flexibilização contratual, por outro, a dimensão de Londres permite uma oferta constante de novas oportunidades que mantêm os profissionais activos. Claro que este dinamismo assume várias velocidades dependentes do sector, contudo é uma característica comum.

Por vários motivos também, Londres é uma das cidades mais atractivas para se trabalhar. Especialmente os jovens profissionais parecem ser atraídos pelo fervilhar constante do centro financeiro Europeu e de todo o lado chegam, com sonhos que rivalizam em tamanho com a própria cidade. Como resultado existe uma enorme concorrência para assegurar um lugar que lhes permita aprender e evoluir nas suas carreiras. Alguns não tencionam ficar muito tempo, apenas o suficiente para garantir um currículo que impressione.

Quando cheguei a Londres, esperava ambas as realidades, mas devo dizer que fui surpreendido, pela velocidade e pelo número, do mercado e dos que como eu correm atrás de um sonho, mas tal como esperava, este ambiente tornou-se em algo realmente motivador. Desde que me lembro que sou assim, gosto destes ambientes, onde existe uma necessidade constante de fazer melhor. Isto mantém-nos activos, impede o parasita tão português do comodismo de se instalar, motiva, faz-nos avançar e ser melhor todos os dias. Aqui, o valor de cada um, depende do que se fez hoje!

Claro que isto faz com que arranjar emprego seja uma tarefa onde é necessário despender muita energia. Esta realidade é nova para mim, pois nunca me senti a pedalar para um emprego em Lisboa. Tem sido uma boa lição de vida. Não querendo ser mal interpretado gostava de salientar um aspecto; não existe aqui nenhum tom de crítica ou juízo de valor em relação ao que se passa em Portugal. As razões para estas diferenças tem a ver com muitos factores a começar pelo próprio mercado, sendo este totalmente distinto. Por isso, a decisão de ficar em Portugal para trabalhar é igualmente válida desde que seja feita em consciência e tenha uma razão para além do “tempo” – leia-se comodismo no sentido mais abrangente do termo.

A minha procura, dura já cerca de dois meses e meio. Devo admitir que tem sido bem mais complicado do que pensei inicialmente. Mas nem por isso me sinto desmoralizado ou arrependido, apesar de por vezes me sentir frustrado e cansado. Mas a questão mais importante, porque é essa que me vai dar um emprego, é saber como me comparo em relação à concorrência. Nas várias entrevistas que já tive – de cabeça umas 7 fora as telefónicas – tive a oportunidade de conhecer o rosto dos que como eu escolheram Londres e aquilo que acho mais importante dizer a este respeito é; não me senti em qualquer momento menos preparado que eles quer em termos técnicos quer pessoais. Isto a meu ver é importante de salientar. A nossa pequeneza – leia-se de Portugal – é determinada na sua maioria pela nossa atitude e falta de auto-estima. As universidades Portuguesas são tão boas quanto as Espanholas ou as Inglesas, e nenhum engenheiro Francês ou Alemão é à partida e por herança nacional, melhor que um engenheiro Português, e assim para os médicos, professores, cientistas, advogados, humanistas, etc. Os mais conservadores em espírito poderão ainda argumentar que a verdade é que lá fora ainda nos vêm com um país atrasado. Mas ó minha gente cabe-nos a nós mudar isso! Dito isto devo então dizer que há um factor muito importante que me limita, a falta de experiência profissional, e quanto a isto não há muito a dizer, pois é algo que só se ultrapassa trabalhando primeiro.

Perguntem a vocês mesmos o que querem da vida, definam objectivos ambiciosos que não caibam em vossa casa e se para eles for necessário vir para “Londres”, venham e enfrentem as dificuldades, acreditem em vocês próprios e acima de tudo sejam determinados e perseverantes…

A persistência é o caminho do êxito.

Charles Chaplin

3 Respostas para “Job Hunting”

  1. Claudia Diz:

    Concordo contigo em muita coisa. Aquilo que mais me tem marcado desde que vim para aqui foi a auto-estima de certas pessoas que andam na rua. Aqui tu notas, vês claramente, transpira nos poros quem realmente tem auto-estima e quem não tem. Não se trata de nacionalidades, não se pode falar nisso em Londres, mas a verdade é que nem vos passa pela cabeça a auto-estima de certas pessoas com quem falo aqui. Claro que há muitos que descambam para a arrogância…E depois há o reverso da medalha. Há as miudas com 15 anos com filhos e atreladas a mastroços, horriveis.
    Não deixa de ter um lado podre esta cidade…Por isso meu amigos vindos de Portugal se acham que são confiantes, que têm auto-estima venham morar para Londres e conheçam os dois lados. E aqui não se pode ficar no meio termo. Há que tomar uma decisão. Ou escolhes o caminho mais duro e te tornas mais confiante ou descambas para o lado pior. E ninguém quer isso…

  2. Pedro Catalão Diz:

    Bom post,

    na verdade os engenheiros portuguêses são mais valorizados que os de outro país qualquer da Europa, somos considerados atrasados porque temos menos engenheiros, mas os engenheiros existentes são muito cativados lá fora pela sua versatilidade e polivalência.. o espírito de “desenrasca” com formação súperior é uma coisa do outro mundo :)

    já agora.. erro gravíssimo no título do teu último post: é recompensa (com S) :)

    abraço

  3. Ricardo Cruz Diz:

    Concordo Pedro. Em geral temos uma grande flexibilidade e somos os últimos a ficar enrascados.

    Em relação ao erro, imperdoável, mas já corrigido. Obrigado

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