Jun

02

Encontrar casa

por Ricardo Cruz

Para quem já visitou a cidade e teve oportunidade de visitar ainda que brevemente, os bairros residenciais fora do centro, a imagem que fica é muito diferente daquela que vemos na periferia lisboeta por exemplo. Casas de 3 pisos, aperatadas umas contra as outras, espremidas num pedaço de terra estreito e alongado. Isto explica de alguma forma a baixa densidade populacional relativamente a outras grandes cidades. A grande metrópole de Londres extende-se por cerca de 1500 kms quadrados, com uma população de cerca 7,3 milhões de habitantes. Como seria de esperar o mercado imobiliário é gigantesco e movimento milhões de libras, mas em Londres assume contornos caricatos e únicos em todo o Reino Unido. Os preços, esses, roçam o limite do obsceno mesmo para os Ingleses que aqui vivem, e as condições oferecidas pela exorbitância de 400 libras por mês limita-se a um pequeno estúdio na zona 2.

A procura de casa, não se advinha fácil para um português recém chegado, ou melhor, para dois portugueses recém chegados. Dado o custo de permanência num hotel, encontrar casa era uma das nossas preocupações, mas o tempo era limitado. À primeira manhã da nossa chegada a Londres, começava aquela que passará para a história como a semana infernal, onde gastaria o equivalente a três solas.

Só depois dos primeiros dias conseguimos compreender como funciona o mercado de arrendamentos e aquilo que poderíamos esperar do nosso apertado orçamento. No entanto vimos de tudo em todo o lado, bem, quase em todo o lado. Depois de algumas viagems de metro cedo nos apercebemos que para além da zona 3 se torna extremamente desconfortável e mais caro viajar todos os dias para um trabalho no centro da cidade. A boa notícia é que existem opções na zona 2, ou limite da mesma, que ainda assim caem dentro do nosso orçamento. Uma vez que carro é um luxo a que nos temos de “desapegar” (não sei se existe esta palavra, se não existir acabei de inventar), a proximidade e qualidade dos transportes é um factor muito importante. Outro aspecto importante é saber quais as zonas onde se pode viver e aquelas a evitar, por razões de marginalidade. Aqui os conhecidos podem ser uma ajuda preciosa, principalmente se viverem cá à mais de um ano. Todas as pessoas acabam por ouvir falar e sabem quais os bons e maus sítios. Felizmente, podemos contar com essa ajuda de vários amigos e que foi muito importante. De qualquer modo adoptámos a nossa própria estratégia; sempre que marcávamos uma visita tentávamos saber algo mais sobre a zona e se possível visitar as redondezas algum tempo antes. Só mesmo para respirar o ambiente! No entanto à que estar preparado para ver de tudo, fora e dentro das casas.

Chegado o Domingo não tinhamos encontrada nada, o que nos preocupava pois na segunda teríamos de fazer o check out no Centaur Lodge. Não arriscámos, e decidimos reservar outro hotel, que por sinal se veio a revelar melhor, mais barato e ainda mais próximo do centro. E assim já podemos dizer que vivemos em Notting Hill, pelo menos durante 4 noites ehehe.

Passados 8 dias da nossa chegada finalmente encontrámos casa!!! [SOM DE TROMBETAS]

Mas isso mereçe outro post…

Responder